O intenso e inventivo terceiro álbum da banda britânica Broken Links, “Conflict::States” chegou às plataformas de streaming há pouco tempo, mas já promete dar o que falar entre os fãs que têm apetite por uma sonoridade pesada e autêntica. A banda veterana na cena surgiu em 2008, formada por Mark Lawrence, Lewis Betteridge e Phil Boulter, e desde então se dedica à uma sonoridade original que une alt rock, grunge, hard rock e um pouco de grunge. Tudo isso sem deixar de flertar com um pouco de goth-electro e post-punk. Se sua sonoridade é pesada, suas influências não poderiam ser diferentes, e vão de Depeche Mode à Nine Inch Nails, Chemical Brothers e Massive Atack. Ao longo de sua carreira, o Broken Linkes lançou dois álbuns de estúdio, o “Disasters: Ways to Leave a Scene“, em 2012, “Divide / Restore” em 2015, além dos EPs que lhes fizeram conquistar uma base leal de fãs, além de shows pelo Reino Unido, Alemanha, Itália, entre outros países Europeus. Agora, em 2021, a banda ressurge com doze faixas inéditas em “Conflict::States”, um álbum produzido de forma independente durante a pandemia, e que aborda o atual estado de coisas do mundo. O Broken Link promete reconquistar os holofotes do rock com um disco furioso e crítico, que eterniza em canções e palavras o momento caótico que o mundo enfrenta.
O álbum se inicia na faixa “The Day Called X“, que reflete o terrorismo em meio à uma sonoridade intensa que evolui para incríveis riffs no refrão. A energética combinação com os vocais é o suficiente para resumir a fúria que o álbum expressa. A menção honrosa fica por conta do incrível solo que conclui a música em meio à atmosfera fantasmagórica. O single “Replicas” usa instrumental mais dançante e eletrônico para fazer críticas à tendências em redes sociais, evoluindo para mais hard rock ao longo da faixa. Outro single, “Pioneer” desacelera o ritmo sem perder a intensidade de riffs, destacando os incríveis vocais de Mark. “Cold War” é uma das faixas mais inventivas do disco, se arriscando ao unir elementos de electro-pop e riffs pesados. Combinação que também é explorada em “Eras“, porém com uma atmosfera fantasmagórica e crescente onde os vocais ficam em segundo plano para que o instrumental possa brilhar. Elementos eletrônicos e carismáticos voltam a ser explorados em “Fatalism“, contrastando com a atmosfera sombria dos vocais que falam sobre morte e temores em situação inescapáveis. “Zealots” desacelera a intensidade em uma ótima faixa que une diferentes vocais para trazer reflexões de forma profunda. “Year XI” une referências do post-punk para criar uma faixa mista e autêntica que reflete sobre o entro entre o início vida e morte, até que o álbum conclui sua viagem pela modernidade em meio ao synthpop fantasmagórico de “Disconnect“.
O “Conflict::States“, sem dúvidas, cumpre o que promete ao entregar faixas monstruosas e intensas com fortes críticas a globalização, instrumentais energéticos, pesados, além de suavidade e harmonia de ótimos vocais que seguem na mesma intensidade e furiosa sem precisar apelar para “screamos“. Mais do que um álbum expressivo, Broken Links entrega caminhos e possibilidades criativas para o chamado ‘new rock‘, deixando uma trilha de autenticidade, catarse e atitude para as novas gerações. O resultado é um disco crítico, necessário e transgressor que convida o ouvinte a refletir a própria realidade e existência: “As pessoas estão vivendo em um mundo onde acham que têm escolhas. Não há escolhas. Estamos com muito tempo. Este álbum é uma declaração de consciência para todas as merdas que prendem a sociedade. Vira o pássaro, depois se afasta e continua vivendo a vida da melhor maneira possível“, comenta Mark.
Original article: https://rocknbold.com/2021/05/must-listen-09-10-bandas-para-atualizar-a-sua-playlist-de-rock-em-maio/
